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Amor Livre
Richard Simonetti
UM DOS TEMAS EM EVIDÊNCIA, na atualidade, é o amor livre, a união entre o homem e a mulher sem nenhum vínculo sério, sem compromissos em relação ao futuro e, conseqüentemente, sem cogitar-se de matrimônio e filhos.
Embora alguns espíritos mais lúcidos, dentre os que debatem o assunto, demonstrem o perigo de abolir-se o instituto da família, selado pelo compromisso do casamento há uma forte tendência, particularmente nas grandes cidades, para o cultivo do amor livre. Dir-se-ia, com mais propriedade, do sexo livre, já que somente a busca de sensações, na promiscuidade sexual sem responsabilidade poderia justificar semelhante pretensão.
Na questão n.° 695, de « O Livro dos Espíritos», interroga Allan Kardec: «O casamento, ou seja, a união permanente entre dois seres é contrária às leis da Natureza:'»
Resposta: «É um, progresso na marcha da Humanidade.»
Na questão seguinte, interroga o Codificador: «Qual seria o efeito da abolição do casamento na sociedade humana?»
Resposta: «O retorno à vida animal.»
E Kardec comenta que a união livre e fortuita dos sexos pertence ao estado de Natureza. O casamento é um dos primeiros atos de progresso das sociedades humanas, porque estabelece a solidariedade fraterna e se encontra entre todos os povos, embora nas finais diversas condições. E acentua: «A abolição do casamento seria, portanto, o retorno à infância da Humanidade, e colocaria o Homem abaixo mesmo de alguns animais que lhe dão exemplo de uniões constantes.»
Todo anseio mal orientado de liberdade, ainda que pretendendo inspirar-se em nobres ideais, acaba por levar à manifestação de impulsos primitivos da personalidade humana. O amor livre é uma tentativa de retorno à poligamia, estágio superado da Evolução. O verdadeiro amor jamais cogita da própria liberdade, pois realiza-se na felicidade do ser amado, em permanente doação. O casamento é um compromisso que lhe dá significado e objetivo. É o supremo crédito de confiança no outro; é a certeza que tem alguém na sua capacidade de fazer feliz a outro alguém.
Ainda que estas considerações pareçam simples poesia, distanciada da realidade; ainda que para muitos os compromissos matrimoniais representem apenas lutas, problemas,dificuldades e sofrimento, devemos lembrar que o instituto da família, selado pelo casamento, é a escola onde fazemos nossa iniciação nos domínios do Bem e da Virtude.
A comunhão fraterna que se estabelece entre o homem e a mulher que se decidem a enfrentar a vida juntos, ensaiando afeto e desprendimento, levando-os a conjugar o verbo de suas ações não mais na primeira pessoa do singular (eu), mas na primeira do plural (nós); o misterioso e sublime amor que brota, espontâneo, em seus corações, ao receberem nos braços um filho, tornando-os capazes de todos os sacrifícios para dar-lhe sustento e garantir-lhe a vida; todos esses valores, reunidos na bênção do matrimônio, que transforma as paredes frias de uma casa em acolhedor lar, representam uma fecundação do Espírito para as realizações mais nobres, acelerando sua jornada evolutiva.
Podem surgir no reduto doméstico a dissensão e a amargura, o tédio e a mágoa, inspirando nos cônjuges a idéia de que sua ligação teria sido um lamentável engano, estimulando os menos avisados a procurarem a própria satisfação nos domínios do amor livre. É preciso considerar, entretanto, que a grande maioria dos casamentos tem ascendentes espirituais e raízes no passado. As almas reunidas no lar para as experiências em comum são velhos conhecidos...
Companheiros de delinqüência, inimigos, desafetos, vítima e verdugo, devedor e credor, são expressões usadas.para definir as causas geradoras de situações do presente. Apresentam-se, na verdade, por pálidas indicações de inenarráveis tragédias e escuros dramas passionais ocorridos no pretérito, a determinarem o reencontro das personagens no lar para o necessário reajuste. E toda fuga representará sempre transferência do compromisso para o futuro, em regime de débito agravado.
E os que tiveram seus lares desfeitos, não obstante os reiterados esforços para manterem a integridade familiar? Será lícito que procurem nova experiência? Por que não? A comunhão afetiva é alimento da Alma e precioso estímulo às árduas jornadas do mundo. Como acontece noutros países, chegará o tempo em que o Brasil terá o divórcio, favorecendo corações magoados com a bênção de novas esperanças, embora adiado o compromisso.
É importante considerar, todavia, que toda experiência nos domínios do sexo, sem responsabilidade, sem antecipação do amor leal e sincero, estabelecendo vínculos sérios com vistas a uma vida em comum, será sempre o retorno às tendências da animalidade, gerando intranqüilidade e desequilíbrio. Em qualquer relacionamento humano, particularmente nos domínios do sexo se esperamos alegria e paz, é preciso que o amor venha primeiro.
Revista Reformador – Agosto de 1971
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UNIDOS PELO AMOR

A Grande Pergunta
E por que me chamais Senhor,
Senhor, e não fazeis o que eu digo?
- Jesus. (LUCAS, 6:46)
Em lamentável indiferença, muitas pessoas esperam pela morte do corpo, a fim de ouvirem as sublimes palavras do Cristo.
Não se compreende, porém, o motivo de semelhante propósito. O Mestre permanece vivo em seu Evangelho de Amor e Luz.
É desnecessário aguardar ocasiões solenes para que lhe ouçamos os ensinamentos sublimes e claros.
Muitos aprendizes aproximam-se do trabalho santo, mas desejam revelações diretas. Teriam mais fé, asseguram displicentes, se ouvissem o Senhor, de modo pessoal, em suas manifestações divinas. Acreditam-se merecedores de dádivas celestes e acabam considerando que o serviço do Evangelho é grande em demasia para o esforço humano e põem-se à espera de milagres imprevistos, sem perceberem que a preguiça sutilmente se lhes mistura à vaidade, anulando-lhes as forças.
Tais companheiros não sabem ouvir o Mestre Divino em seu verbo imortal. Ignoram que o serviço deles é aquele a que foram chamados, por mais humildes lhes pareçam as atividades a que se ajustam.
Na qualidade de político ou de varredor, num palácio ou numa choupana, o homem da Terra pode fazer o que lhe ensinou Jesus.
É por isso que a oportuna pergunta do Senhor deveria gravar-se de maneira indelével em todos os templos, para que os discípulos, em lhe pronunciando o nome, nunca se esqueçam de atender, sinceramente, às recomendações do seu verbo sublime.
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UNIDOS PELO AMOR
Depressão e Amor Próprio A vida nos reserva desafios importantes para alcançarmos a felicidade. Ela também nos oferece múltiplas possibilidades de fazê-lo. Os desafios, embora se constituam em obstáculos que exigem muita energia, são permeados de alegrias e prazeres naturais. Para vencê-los, ora estamos numa postura de doação, ora estamos noutra de recepção. Quando doamos, corremos o risco de dos alienarmos de nós mesmos. Quando recebemos, corremos idêntico risco de nos ausentarmos do mundo. Doar e receber são atitudes diante da vida que exigem equilíbrio para não resvalarmos pela alienação ao interno ou ao externo. A doação não deve ser um fim em si, mas um meio de conhecer a si próprio e ao mundo. Psicologicamente, quando uma pessoa doa muito, costuma exigir muito. Ela cria expectativas em relação ao seu próprio ato e, muitas vezes, ao comportamento de quem lhe recebe os benefícios. O ato de doar deve ser seguido de uma preocupação em fazer crescer quem recebe o benefício, na mesma medida em que o doador se preocupa com seu autocrescimento. Adenáuer Novaes
É comum ver-se pessoas que passaram boa parte de suas vidas em tarefa de doação, entrando em depressão. Às vezes, elas próprias não compreendem a causa, decepcionando-se com a vida. Isolam-se e evitam quem possa ajudá-las. Perdem o apetite ou mesmo passam a comer demais. Têm o sono reduzido, quando não conseguem levantar da cama pelo seu excesso. Lamentam-se na solidão de seus pensamentos, evitando o contato com as pessoas que mais amam. Descuidam-se afetivamente. Entram num sentimento de autopiedade e reclamam de Deus pelo seu estado. Às vezes, reduzem sua mobilidade, evitando sair ou exercitar-se, pois se cansam com facilidade. Noutras oportunidades, para vencer a fase crítica pela qual passam, agitam-se saindo muito ou buscando manter-se em atividade constante. Não observam que perderam o interesse pelas atividades mais simples e cotidianas da vida, ficando indiferentes às ocorrências do dia-a-dia. Por conta disso, culpam-se ou se sentem inúteis. Simultaneamente, perdem o interesse pela atividade sexual natural e diminuem a capacidade de se concentrar. Sentem tristeza e angústia profundas. Algumas, porque são mais frágeis psicologicamente ou por influência obsessiva, pensam em suicídio. Em resumo, perderam o amor-próprio e o endereço de Deus.
Viver é uma arte que exige habilidade e flexibilidade. Nenhum ato humano deve ser definitivo e tampouco pode se fazer de uma existência o degrau mais alto para se conquistar a felicidade. A vida deve ser vivida como se caminhássemos por uma longa estrada cujo fim a vista nunca alcança. Quando se quer viver a vida, deve-se viver o presente com o olhar para o futuro, sem esquecer do passado para melhor compreendê-la.
Devemos sempre estar atentos aos sutis mecanismos psicológicos que estão subjacentes às nossas intenções. O que nos parece um ato de livre vontade pode estar encobrindo uma culpa ou um outro complexo. Um certo senso crítico aos próprios atos é sempre desejável, pois ninguém no mundo tem o completo discernimento da realidade que lhe garanta estar sempre atuando adequadamente na vida. Quando pensamos excessivamente em circuito fechado, sem admitir a entrada de outras opiniões em nosso mundo, podemos cair no egocentrismo doentio. O movimento contrário como forma de resolver o conflito, pode ser outro equívoco. É preciso, antes de qualquer atitude para reverter a situação, entrar em contato com os motivos que levaram a pessoa àquele estado depressivo.
Muitos são os problemas que podem promover a chamada depressão. Dentre eles assinalo alguns que, inevitavelmente, a maioria de nós enfrenta. Viver num mundo extremamente competitivo sentindo-se frágil e impotente; acostumar-se à rotina sem as compensações desejadas; viver em contato com pessoas agressivas sem coragem para enfrentá-las com equilíbrio; viver sem ser amado (a); viver sob pressão profissional sem recompensas satisfatórias; não ter um sentido para a vida nem saber por onde começar; não ter uma religião que lhe responda suas questões mais íntimas; viver sendo inferiorizado por alguém e sem auto-estima para mudar a situação; lidar com doenças persistentes sem diagnóstico específico; viver em condições financeiras no limite ou abaixo dele; não resolver seus problemas e necessidades sexuais; lidar com a morte pessoal e de terceiros; administrar perdas e rejeições naturais na vida; lidar com as ingratidões e incompreensões típicas do ambiente familiar; experimentar as agruras da solidão; não aceitar as transformações e alterações físicas decorrentes da idade; não entrar em contato com suas próprias limitações.
Como é praticamente inevitável atravessar a maioria desses problemas, devemos nos prevenir antes que aconteçam. Um dos antídotos que poderemos utilizar para isso é a vivência do Espiritismo de forma equilibrada e harmônica, sem sectarismos ou rigidez. A consciência da imortalidade da alma e a auto-determinação do próprio destino são fundamentais para que se alcance um estado que evite a depressão.
Nenhum ser humano é uma ilha que possa sozinho resolver sua própria busca. A conexão íntima que fazemos com Deus, com o próximo e conosco, é alavanca para uma vida feliz e harmônica. Nossa vida deve ser vivida com entusiasmo e alegria, mesmo diante de dificuldade múltiplas. Quem olha muito para baixo, isto é, para o negativo, esquece que dentro de si mesmo mora um sol, que é Deus. É preciso mirar o horizonte e acertar nas estrelas. Essas estrelas são o coração do outro que conosco convive. Buscar acertar o coração das pessoas nos leva ao encontro com o divino em nós.
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NOV@ ER@
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00h13
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DIA DE DEUS (DIA DOS PAIS)
Pensando em Deus, pensa igualmente nos homens, nossos irmãos.
Detém-te de modo especial, na simpatia e no amparo possível, em favor daqueles que se fizeram pais ou tutores.
As mães são sempre revelações angélicas de ternura, junto aos sonhos de cada filho, mas é preciso não esquecer que os pais também amam.
Esse perdeu a juventude, carregando as responsabilidades do lar; aquele se entregou a pesados sacrifícios, apagando a si mesmo, para que os filhos se titulassem com brilho na cultura terreste; outros se escravizaram a filhinhos doentes; muitos foram banidos do refúgio domésticos, às vezes, pelos próprios descendentes, exilados que se acham em recantos de imaginário repouso, por trazerem a cabeça branca por fora, e, em muitas ocasiões, alquebrada por dentro, sob a carga das lembranças difíceis que conserva, em relação aos infortúnios que atravessaram para que a família sobrevivesse e, ainda outros renunciaram à felicidade própria, a fim de se converterem nos guardiães da alegria e da segurança de filhos alheios...
Compadece-te de nossos irmãos, os homens, que não vacilaram em abraçar amargos compromissos, a benefício daqueles que lhes receberam os dons da vida.
Ainda mesmo aqueles que se transviaram ou que enlouqueceram, sob a delinqüência, na maioria dos casos, nos merecem respeitosos apreços nobres intenções que os fizeram cair.
A vida comunitária, na Terra de hoje, institui datas homenagens à profissões e pessoas. Lembrando isso reconhecemos, por nós, que o Dia da Mães é o Dia do Amor, mas reconhecemos também que Dia dos Pais é o Dia de Deus.
Emmanuel
Psicografia: Francisco Cândido Xavier
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