A Transcendente Sinfonia do Amor - Amélia Rodrigues

Dia que prenunciava calor.
Desde cedo as nuvens esgarçadas passavam céleres, sopradas por favônios lentos, deixando o céu de azul turqueza despido, silencioso e profundo, no qual, o Astro-rei se espraiava com abundância de luz.
As tarefas começaram pela madrugada.
Aqueles homens, simples e despretensiosos, que antes não aspiravam mais que a conquista do pão diário, o modesto conforto do lar e a dádiva de bons vizinhos, subitamente estavam projetados para fora das comezinhas conquistas, procurados por desconhecidos loquazes e interesseiros que, por seu intermédio, desejavam chegar a Jesus.
Repentinamente se viam num torvelinho, que não sabiam como contornar, prosseguindo nas suas fainas, que nunca mais seriam as mesmas...
Estavam em junho e o calor abrasava mais do que noutras ocasiões.
Aquele dia, especialmente, apresentava-se longo, parecendo que as horas não passavam.
Havia algo no ar, que os assaltava em preocupação inabitual.
Ainda não se haviam acostumado à nova situação.
Acompanhavam o Amigo e viam-nO gigante a cada momento. Deslumbravam-se, mas não compreendiam o que estava acontecendo. Não tinham o hábito de reflexionar, menos o de peneirar nas intrincadas complexidades da fé religiosa.
Jesus era diferente.
Seus discursos rasgavam as carnes da alma como lâminas aguçadas, que cicatrizavam logo com o bálsamo da esperança.
Quem O fitasse, embriagava-se na luminosidade dos Seus olhos mansos.
Os Seus feitos jamais foram vistos antes, e todo Ele era único.
Nunca houvera alguém que se Lhe igualasse.
A suavidade da Sua voz alteava-se sem desagradar e a Sua energia nunca magoava, exceto aos cínicos e hipócritas, que tentavam confundi-LO, perturbar-Lhe o ministério.
Era, sim, uma revolução, aquilo que Ele pregava, porém, de vida e não de morte, para a paz, jamais para a destruição, e a Sua espada - a Verdade - servia para separar a criatura dos seus embustes e paixões...
Buscavam-nO todos, e isto confundia os Seus discípulos mais próximos, que não entendiam.
O povo, que vivia esmagado, exausto de sofrer a injustiça social, seguia-O, aguardando apoio e libertação...
Os opressores, os ricos e debochados, que pareciam duvidar dEle também O buscavam, apresentando suas feridas morais ou disfarçando-as. E Ele os atendia também, conforme as necessidades que apresentavam.
A cada um, dispensava auxílio especial, próprio, mantendo-se indiferente à bajulação e ao sarcasmo.
Ainda não haviam sido lançadas as bases do reino de Deus.
Jesus chamava a atenção e demonstrava a Sua autoridade, pouco a pouco.
A revelação tem que ser progressiva. As criaturas não podem alimentar-se do que não têm condição para digerir, por isso, a Verdade é desvelada, apouco e pouco, afim de não afligir, ou não ser identificada.
O Deus de vivos trabalha pelo crescimento dos seres e não pelo seu aniquilamento. Por essa razão, a Sua mensagem renovadora fazia-se apresentada com sabedoria, pois que ela alterava por completo os parâmetros existenciais, os objetivos humanos quase alienando aqueles que não possuem estrutura para realizar as mudanças, conforme devem ser feitas...
Jesus sabia-o. Psicoterapeuta especial, medicava, peneirando o ser com a luz incomparável da Sua ternura.
A Sua proposta se firmava na construção da criatura integral, na qual predominassem a abnegação, o espírito de sacrifício, a compreensão e a renúncia de si mesmo.
Aqueles eram dias ásperos e ásperos também eram os corações.
Não poucas vezes, os sacerdotes e escribas, os fariseus e saduceus, buscavam-nO com mal disfarçada hipocrisia, para O comprometer. Suas perguntas dúbias tinham finalidades nefandas; seus sorrisos melosos ocultavam a ira, a inveja, o despeito, e tudo faziam para perdê-lO.
Jesus conhecia-os, devassava-os com o olhar e os desarmava...
Naquele dia de junho, quando o Sol murchava, devorado pelo crepúsculo e as montanhas ao longe se adornavam do ouro em brasa do poente, destacou-se, da multidão que O seguia, um escriba, que O ouvira discursar e discutir, e vendo que Jesus lhes tinha respondido bem, perguntou-Lhe:
- Qual é o primeiro de todos os mandamentos?
A pergunta ecoou nos ouvidos da multidão, que mais dEle se acercou, afim de ouvir-Lhe a resposta.
Aquele era o momento máximo do ministério até então vivido.
Toda a preparação anterior era para aquele instante.
Estaria Ele com ou contra a Lei antiga? Quais seriam os seus planos e estratégias? -pensavam todos.
A indagação direta exigia uma resposta concisa e clara.
Jesus então ripostou, tranqüilo:
- O primeiro é: Ouve Israel: O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor; amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças.
Uma sinfonia mística embalou o ar morno do entardecer, enquanto suave brisa, que soprava do mar, refrescou a Natureza, desmanchando-Lhe os cabelos.
Ele prosseguiu suave e canoro:
- O segundo é este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior que este.
Ante o silêncio da multidão extasiada, podia-se perceber que a Sua revolução igualava iodos os seres no amor: vencedores e vencidos, poderosos e escravos, ricos e pobres, nobres e plebeus, cultos e incivilizados possuíam no amor ao seu próximo um lugar comum, nivelador...
Mas era necessário amar-se, desenvolver os valores íntimos, adormecidos no ser, a fim de espraiar-se em interesse pelo próximo.
Aquele que se não ama, a ninguém ama. Explora-o, negocia o sentimento, transfere-o por seu intermédio e logo o abandona, decepcionado... consigo mesmo.
Quem se ama sem egoísmo, sem o desejo de acumular, porém vive para repartir; sem a paixão da posse, mas com o sentimento de libertação, ama o seu próximo, conforme Deus nos ama.
O amor é sustento da vida, por ser de origem divina e ter finalidade humana.
Subitamente, despertando da magia envolvente da Sua palavra, as pessoas entreolharam-se, sorriram, tocaram-se.
O escriba, emocionado, disse-Lhe:
- Muito bem, Mestre, com razão disseste que Ele é o único e que não existe outro além dEle; e que amá-lO com todo o coração, com todo o entendimento, com todas as forças e amar o próximo como a si mesmo vale mais do que todos os holocaustos e sacrifícios.
Permaneciam as vibrações de paz e as ansiedades dos corações se acalmavam.
Favônios, agora perfumados pelos loendros em flor, varriam o ambiente, inebriando as almas ali reunidas.
Vendo Jesus que ele respondera sabiamente, disse-lhe:
- Não estás longe do reino de Deus.
Era um prêmio para o homem nobre, honesto, sincero em suas crenças.
Estavam lançadas as sementes de luz.
A partir daquele momento não mais sombras; eles conheciam quais eram os meios de que se deveriam utilizar em quaisquer situações.
Nunca revidar ao mal - amar.
Jamais ceder ao crime - amar.
Não desistir - amar.
Maltratados, e amando.
Incompreendidas, porém amáveis.
Estava inaugurada a Era Nova e a transcendente sinfonia do amor iniciava o período de estabilização do bem na Terra.
E ninguém mais ousava interrogá-lO.
Nem era necessário.


(Página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco, em 3-7-1993, em Paramirim-BA.)
Fonte: Reformador nº1976 – Novembro/1993

:: Postado por NOV@ ER@ às 22h51
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03/10/2004 Bicentenario do Nascimento de Allan Kardec

 

COLEÇÃO DE FRASES DE ALAN KARDEC

EVOLUÇÃO

A cada nova existência, o homem tem mais inteligência e pode melhor distinguir o bem e o mal.



L. E. pg 182

O homem é um Deus para os animais, como outrora os Espíritos foram deuses para os homens.

L. E. pg 250

O apego às coisa materiais é um sinal notório de inferioridade, porque quanto mais o homem se prende aos bens do mundo, menos compreende sua destinação.

L. E. pg 346

Vosso espírito se elevará mais depressa se já progrediu em inteligência.

L. E. pg 347

No intervalo das encarnações, aprendeis em uma hora o que vos exigiria anos sobre a vossa terra.

L. E. pg 347

Todo o sentimento que eleva o homem acima da natureza animal, anuncia a predominância do Espírito sobre a matéria e o aproxima da perfeição.

L. E. pg 350

Os Espíritos, em se depurando pelas encarnações sucessivas, perdem o egoísmo, como perdem suas outras impurezas.

L. E. pg 352

O homem deve se resignar e suportar os males sem murmurar, se quer progredir.

L. E. pg 359

A felicidade dos Espíritos é sempre proporcional à sua elevação.

L. E. pg 376



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A fé necessita de uma base, e essa base é a perfeita compreensão daquilo em que se deve crer. Para crer, não basta ver, é necessário compreender.



E. S. E. pg 226

Só é inabalável a fé que pode enfrentar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade.

E. S. E. pg 226

A esperança e a caridade são uma consequencia da fé.

E. S. E. pg 228

É certo que, no bom sentido, a confiança nas próprias forças torna-nos capazes de realizar coisas materiais que não podemos fazer, quando duvidamos de nós mesmos.

E. S. E. pg 223

Não se aflija por antecipação, porquanto que a vida resolva o seu problema, ainda hoje, sem qualquer esforço de sua parte.

S. V. pg 60

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FELICIDADE

O egoísmo é a fonte de todos os vícios, como a caridade é a fonte de todas as virtudes. Destruir um e desenvolver o outro, tal deve ser o objetivo de todos os esforços do homem, se quer assegurar sua felicidade neste mundo, tanto quanto no futuro.



L. E. pg 354

Depende do homem amenizar seus males e ser tão feliz quanto se pode ser sobre a Terra.

L. E. pg 358

O sábio, para ser feliz, olha abaixo de si e jamais acima, a não ser para elevar sua alma até o infinito.

L .E. pg 359

Toda pessoa que serve além do dever, encontrou o caminho para a verdadeira felicidade.

S. V. pg 47

A nossa felicidade será naturalmente proporcional em relação à felicidade que fizermos para os outros.

S. V. pg 62

Estude a si mesmo, observando que o auto conhecimento traz humildade e sem humildade é impossível ser feliz.

:: Postado por NOV@ ER@ às 10h39
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